segunda-feira, 13 de maio de 2013

Resumo Crítico


A norma técnica NBR 6028 (novembro de 2003) da ABNT define por resumo a “Apresentação concisa dos pontos relevantes de um documento.

Os resumos dividem-se, de acordo com seu objetivo, em:

I- Resumo crítico: Resumo redigido por especialistas com análise crítica de um documento. Também chamado de resenha. Quando analisa apenas uma determinada edição entre várias, denomina-se recensão”

II- Resumo indicativo: “Indica apenas os pontos principais do documento, não apresentando dados qualitativos, quantitativos etc. De modo geral, não dispensa a consulta ao original.


III- Resumo informativo: Informa ao leitor finalidades, metodologia, resultados e conclusões do documento, de tal forma que este possa, inclusive, dispensar a consulta ao original.


Independentemente do tipo de resumo é fundamental ter em mente dois pontos:

  • Utilizar ou não palavras iguais as do texto principal não é um questão fundamental, podendo mais indicar estilo;
 
  • O resumo precisa apresentar coesão e coerência – não se trata de um monte de frases desconexas ou de um “esquema” de leitura.


Apresentamos a seguir, um exemplo de resumo crítico escrito por Antonio Ozaí da Silva, para a obra “Lendo Lolita em Teerã”:

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Resenha:
NAFISI, Azar. Lendo Lolita em Teerã: memórias de uma resistência literária. Rio de Janeiro:Edições BestBolso, 2009 (420p.).

A república contra as mulheres
Antonio Ozaí da Silva*

Há livros que compensam a leitura. A obra Lendo Lolita em Teerã, escrito por Azar Nafisi, é um deles. É um livro autobiográfico. A autora, nascida no Irã,mas que vivia no estrangeiro desde os 13 anos, retornou à Teerã em 1979. Então, a derrubada da monarquia autocrática do Xá Reza Pahleva gerara expectativas de mudanças políticas. Os desdobramentos da Revolução Iraniana não confirmaram as esperanças e o que se seguiu foi o domínio da teocracia liderada pelo Aiatolá Khomeini. Apesar do regime ditatorial, Nafisi permaneceu no Irã por 18 anos. Professora de Literatura, lecionou na Universidade de Teerã de 1979 a 1981, quando foi expulsa por não obedecer aos ditames da política teocrática. Tempos depois, voltou a lecionar na Universidade Livre Islâmica e na Universidade Allameh Tabatai.
Lendo Lolita em Teerã nos permite conhecer os aspectos políticos,culturais, sociais e o cotidiano da República Islâmica do Irã, pelo olhar privilegiado de uma mulher intelectual que viveu e sobreviveu àqueles anos conturbados. Não por acaso, o subtítulo do livro é “memórias de uma resistência literária”. Quando se viu impossibilitada de exercer a docência, Azar Nafisi formou um grupo de alunas que, na clandestinidade, liam e estudavam autores como Vladimir Nabokov, F. Scott Fitzgerald, Henry James e Jane Austen. Ela relata esta experiência, entremeada pelos acontecimentos políticos que transformaram o dia-a-dia dos iranianos.
Com Azar Nafisi aprendemos sobre literatura, mas sobretudo sobre a vida real de homens e mulheres submetidos à opressão política. A dominação de gênero é legitimada pela religião e o poder político. A República Islâmica visa especialmente a submissão das
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mulheres, embora também reprima todo e quem ouse desafiar o poder das autoridades.
Nenhuma obra é imparcial e isenta de valores. Nafisi não oculta seu ponto de vista, sua escrita é comprometida. Não obstante, demonstra integridade intelectual e permite aos leitores, como na literatura que analisa, apreender a complexidade da conjuntura e dos indivíduos concretos envolvidos no palco da história. Também o leitor dificilmente sairá ileso, pois trata-se de uma obra que pressupõe posicionamento.
Lendo Lolita em Teerã também tem caráter pedagógico, afinal trata-se da história de vida de uma professora e apresenta os ingredientes que envolvem a práxis docente num ambiente de restrições das liberdades mais elementares necessárias ao exercício da docência. Embora seja outra cultura, diferente da nossa, há aspectos pedagógicos comuns que contribuem para a reflexão sobre o ato educativo, o ensinar e aprender. Basta observar com carinho como transcorrem as relações entre a autora e seus alunos – em especial, as alunas – e com os seus colegas no campus. As questões pedagógicas são necessariamente políticas, politizadas e politizantes. Por exemplo, quando os alunos exigem a mudança do currículo, que autores como Ésquilo, Shakespeare e Racine fossem substituídos por Brecht, Gorki e Marx e Engels. Para eles, a teoria revolucionária era mais importante. Depois, todos seriam submetidos ao rígido controle político dos aiatolás e o campus moldado à imagem e semelhança dos intérpretes da lei islâmica. Ironicamente, eles desprezavam as liberdades individuais, ditas burguesas; foram tragicamente perseguidos e tiveram a liberdades suprimida. Vários foram assassinados.
Lendo Lolita em Teerã é uma obra que permite conhecer melhor a realidade cultural, social e política da República Islâmica do Irã. Vale a pena ler! A propósito, também sugiro que assista ao filme Persepólis.

* ANTONIO OZAÍ DA SILVA é Professor do Departamento de Ciências Sociais, Universidade Estadual de Maringá. Email: aosilva@uem.br Publicado originalmente no blog.

Acesso em 10/05/2013

Este tipo de resumo ou resenha se aplica a qualquer tipo de documento. É elaborado por especialista, geralmente um terceiro.

Segundo Secaf (2010), o resumo crítico manifesta um juízo de valor, num julgamento sobre o tema e este julgamento se dirige às ideias, posições do autor pensador, nunca a pessoa em si (Severino, 1996).

Na próxima semana, apresentaremos um exemplo de resumo indicativo.




Sidinei Damasceno Basil


ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6028:2003 Informação e documentação: Resumo – Apresentação. Rio de Janeiro, 2003.

Secaf, Victoria. Artigo científico do desafio à conquista : enfoque em teses e outros trabalhos acadêmicos. 5. ed., rev. e atual.. São Paulo, Atheneu, 2010. xiii, 138 p.

Severino, Antonio Joaquim. Metodologia do trabalho científico. 20. ed. São Paulo, Cortez, c1996, 1998. 272 p.


Acesso online:
Silva, Antonio Ozaí da. A república contra as mulheres.
Acesso em 10/05/2013

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